O Artista

BRUNO SEGALLA

O escultor Bruno Segalla (1922-2001) tornou-se um dos grandes artistas do Rio Grande do Sul. Foi casado com Almira Segalla com quem teve cinco filhos, sete netos e um bisneto. Faleceu aos 78 anos de idade, vítima de uma fibrose pulmonar. Em 1999, recebeu o título de Artista do Século XX para Caxias do Sul, uma homenagem da cidade em que nasceu e morreu.

Trabalho

Bruno Segalla começou a desenvolver o contato com modelagem e gravação em medalhas a partir do trabalho no setor artístico da empresa Eberle S.A., aos 13 anos. Permaneceu na

empresa por 43 anos, desenhando, modelando e cunhando. Segalla desenvolveu milhares de medalhas comemorativas, condecorativas e religiosas. Foi considerado um dos melhores

medalhistas do país, fazendo trabalhos, inclusive, para a Casa da Moeda do Brasil. Cunhou, por exemplo, a medalha da Eco 92 e a medalha da inauguração do Banco do Brasil em Milão, além de medalhas para a Festa da Uva de Caxias do Sul. Profundo conhecedor da arte de gravação, esculpiu efígies de personalidades como Getulio Vargas, Evita Perón, Ayrton Senna e escreveu frases com até 135 caracteres em cabeças de alfinetes, que podem ser vistas com microscópio.

Arte

Em 1953, Bruno Segalla conheceu o escultor catarinense Erich Taichman, aprofundando a visão sobre a escultura. A partir daí, iniciou o trabalho com esculturas figurativas em volume.

Criou centenas de pequenas esculturas em cerâmica, madeira e bronze com motivos centrados no figurativo, com influência cubista e de escultores como Augusto Murer e Henri

Moore.

Em 1968, iniciou seu trabalho com bustos e retratos. Especializou-se na confecção de bustos.

Quando se aposentou, em 1975, passou a trabalhar de forma intensa no próprio atelier, um espaço único com centenas de objetos pendurados, empilhados, guardados e enfileirados. Nos recantos mais nobres do espaço ficavam guardadas suas esculturas em bronze e em terracota.

Costumava dizer que a desorganização de seu atelier fazia parte de sua alma.

Algumas obras de Bruno Segalla figuram como monumentos públicos em vários locais de Caxias do Sul:

  • Jesus Terceiro Milênio– Reflexão, com 26 metros, junto ao Parque Nacional da Festa da Uva.
  • Monumento aos Direitos Humanos, escultura em bronze com 75 cm, encontra-se na Câmara Municipal de Vereadores.
  • Instinto Primeiro, obra doada à cidade em agosto de 1997, em comemoração aos cem anos da empresa Eberle S/A. Localiza-se na Praça Dante Alighieri.
  • Estátua de Ana Rech, obra em bronze localizada no centro do bairro de Ana Rech.
  • Padre Eugênio Ângelo Giordani, estátua do antigo vigário com 2,40 metros, está no largo São Pelegrino.
  • Busto do Dr. Henrique Ordovás Filho, em bronze, fixado na frente do Centro Cultural Henrique Ordovás Filho.
  • Retrato em baixo relevo do Dr. Percy Vargas de Abreu e Lima, localizado na Casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima.
  • Busto de Kalil Sebbe, localizado na Praça João Pessoa, no bairro São Pelegrino.
  • Busto do governador Euclides Triches, no Centro Administrativo Municipal.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, também guarda uma importante obra de Bruno Segalla. No térreo da instituição está o busto de Bento Gonçalves.

Política

Bruno Segalla foi metalúrgico, sindicalista e participou ativamente da vida cultural e política da cidade.

Seus ideais socialistas o aproximaram de nomes importantes da política brasileira, como Luis Carlos Prestes e Leonel Brizola. Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, foi vereador de Caxias do Sul e suplente de deputado estadual. Cassado durante a ditadura, foi preso duas vezes durante o regime militar. Mesmo perseguido pelos militares até 1974, Segalla não abandonou sua filosofia humanista, uma das características mais evidentes em sua obra.

Grande parte das esculturas de Segalla representa ideias e sentidos relacionados a seu posicionamento político e humano. É visível, na obra do artista, a admiração pela mulher, o

respeito pela maternidade e o clamor por justiça social.